Leoni Nascimento: a personalidade forte que impulsiona o talento

A vida é feita de fases. Um dia, tudo vai bem, em ordem. No outro, acontece uma reviravolta que muda tudo. Infância, Adolescência, Fase adulta e Velhice são as fases da vida pela qual os seres humanos passam. Há quem não sobreviva até a última fase, há quem nem nasça, mas é impossível chegar a fase adulta sem passar pela adolescência. A vida de um atleta também é assim. Leoni Nascimento, profissional de Educação Física formado em Licenciatura Plena pela UFRJ, viveu cada fase intensamente. Aos 88 anos, trabalha há mais 60 com a Educação Física.

Leoni começou muito bem a sua longa carreira. Logo após ter brigado com Carlson Gracie na praia depois de uma partida de futebol, o primogênito da família Gracie enxergou potencial nele e o convidou para trabalhar como anotador na academia da família. “Após o meu horário de trabalho, eu treinava Jiu-Jitsu. Anos depois, eu fundei minha academia aonde hoje é a minha casa”, relembra.

Casado e pai de quatro filhos, a maior luta que ele enfrentou foi conciliar a sua carreira de técnico esportivo com as responsabilidades com a sua família. No Futebol de Areia, atuou como técnico do Botafogo, do Guaíba e do Esporte Clube Radar, de Copacabana. Pelo Handebol, como diretor técnico da Confederação Brasileira de Desportos Universitários, viajou para países como Turquia, Hungria, Iugoslávia, Portugal e Itália. Esse tempo fora do Brasil lhe deu conhecimento e experiência. E em contrapartida, cultivou a saudade no coração de sua esposa. “Ela sempre cuidou de tudo”, enaltece.

Filho de militar, o carioca aprendeu desde cedo a ter disciplina e lutar por aquilo em que acredita. Foi professor universitário na Escola Naval em 1969, da PUC entre 1975 e 1990, da Gama Filho e da UNIVERSO (Universidade Salgado Filho) de 90 até 2000. Se aventurou pelo jornalismo esportivo como repórter na década de 50 ,no extinto “Manchete Esportiva”, e como comentarista no Sportv de 2004 a 2016.

Nas horas vagas, “Léo” (como é carinhosamente chamado) gosta de escrever poemas, mas timidamente. Fez curso de desenho e utiliza desse talento para pintar quadros que enfeitam a sua casa. Ele também cuida da sua saúde. O livro “Exercícios Práticos para estimular a memória” de Mônica Palomo o ajuda a exercitar a mente. “A pior coisa é que eu esqueço o nome das pessoas quando elas vêm me cumprimentar. Tem alunos que eu não vejo há muito tempo”. Com o corpo, ele não economiza cuidados. Faz caminhada, ginástica, abdominal com poucas repetições, devido à uma lesão na costela.

Depois de uma trajetória cheia de realizações, ele sonha com uma sociedade mais justa para todos. “Sou contra a corrupção. Gosto de ajudar o próximo sem me vangloriar, sem maldade, sem interesses”, afirma ele, que hoje vive com a esposa Rosina, na Urca.