Marcelo Corrêa: A Educação Física que dignifica o ser humano

O professor de Educação Física Marcelo Gonçalves Corrêa é um exemplo de coragem e superação. Diagnosticado com Hemiparesia (paralisia branda de um lado do corpo, decorrente da falta de oxigenação na hora do parto), o petropolitano de 52 anos foi atleta paralímpico de 2000 à 2012 e atua como técnico de Bocha Paralímpica da Associação Petropolitana dos Deficientes Físicos. Depois de se formar em Educação Física em 2007, decidiu trabalhar com pessoas com deficiência. Em 2012, Marcelo voltou a competir e foi vice-campeão brasileiro por dois anos consecutivos. Além de técnico, também é coordenador da região leste pela Associação Nacional de Deporto para Deficientes e conselheiro fiscal do Comitê Paralímpico Brasileiro, ambos desde 2015.

“A minha trajetória como estudante foi difícil, pois as nossas instituições educacionais não estão preparadas para receber pessoas com deficiência num curso pelo qual se prima o belo, ou seja, a pessoa que não tem possui deficiência física”.

Marcelo tem uma relação muito próxima com a Educação Física e já investiu em outros esportes como o Arremesso de Peso. Inclusive, foi  penta campeão brasileiro de arremesso de peso e 8º campeão mundial em Nottingham, Inglaterra, em 2001. Em 2017, foi convocado para integrar a delegação do Comitê Paralímpico Brasileiro no mundial de natação, que aconteceu no México.

“Um dia, uma professora de Educação Física que trabalhava com esporte adaptado, me viu e falou ‘você daria um bom paratleta’. Ela me inscreveu num campeonato de arremesso de peso, eu disputei uma competição regional no Rio de Janeiro e fui pentacampeão. Todo mundo ficou surpreso, pelo fato de eu nunca ter competido antes”.

Além do reconhecido trabalho com o time municipal de bocha, ele é responsável por um projeto de ginástica que conta com o apoio da Prefeitura de Petrópolis. Há pouco mais de dez anos, o projeto possui um pequeno grupo que foi criado dentro do Posto de Saúde da Família (PSF), em São Sebastião, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos idosos que frequentam o local. Doenças como osteoporose, diabetes, problemas de ansiedade e depressão podem ser combatidas através da atividade física. Existe uma grande variedade dos exercícios oferecidos dentro desse projeto: são alongamentos, abdominais, atividades de ritmo e pilates.  As aulas, que contam também com a presença de um estagiário e uma nutricionista, acontecem todas as terças e quintas-feiras em dois horários: de 07:30 às 08:30 e de 08:30 às 09:30.

“O Marcelo é uma pessoa que me inspirou e eu tenho aprendido muito com ele e com os nossos atletas. E aí eu vejo que não existe barreira”.

Carla Vieira,  auxiliar técnica do time de Bocha Paralímpica da Prefeitura de Petrópolis

O professor reconhece que o CREF1 é importante para a profissão: “É um órgão que regula toda a atividade física, que deve ser ministrada por um  profissional de Educação Física qualificado para estar nessa área atuando. Em especial, para pessoas com deficiência que precisam de profissionais e principalmente têm direito a ter acesso a Educação Física de qualidade”, afirma.

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