Coluna O Dia – André Codea: Mova-se!

Há não muito tempo me deparei com algumas publicações em mídias sociais que propagavam supostos malefícios da prática regular de atividades físicas. Após rir um pouco com os absurdos, como o desgaste das estruturas corporais e a redução da expectativa de vida, me dei conta dos perigos de tais informações em um momento histórico em que se acredita, sem crítica, em quase tudo o que se lê.

Afinal, na qualidade de profissional de Educação Física, estudei e vivo os benefícios da prática de atividades físicas de forma regular durante a vida. No próprio dia-a-dia, é possível ver diversos exemplos de como o exercício físico contribui positivamente para a melhoria da qualidade de vida.

Já é exaustivamente comprovado que a prática regular de atividades físicas melhora vários parâmetros corporais, desde o condicionamento cardiovascular e respiratório, até digestórios, renais e do Sistema Nervoso, entre outros. Há, principalmente, significativa melhora na qualidade de vida. Reduz-se as dores ou cansaço ao subir uma escada, não há problemas em erguer um peso do chão, uma simples caminhada já não provoca um quase desfalecimento, não se tem mais tombos e fratura óssea por fraqueza muscular.

A necessidade da atividade física regular se torna ainda mais clara em um país que possui altos índices de sedentarismo e, principalmente, para o Estado do Rio de Janeiro, que é tido como o mais sedentário, segundo pesquisa do IBGE realizada no ano de 2017, em que apenas 18% da população se dedicava a práticas esportivas. Isso torna urgente a existência de políticas públicas que ofereçam e favoreçam atividades físicas regulares à população, indo além das iniciativas de ONGs e grupos isolados que promovem tais iniciativas. É uma questão de saúde pública: estudos indicam que mais atividade física reduz a necessidade de remédios e hospitalizações.

No ambiente escolar, a prática de atividades físicas pode fazer a diferença até mesmo nas notas em outras matérias: não é pequeno o número de pesquisas científicas que relaciona alguma prática de exercícios físicos regulares a melhoras no rendimento escolar.

Para quem tem preguiça de se movimentar, alega falta de tempo, que não gosta desta ou daquela prática de exercícios, ou não tem dinheiro para isso, existe uma enorme quantidade de atividades que podem ser feitas, atendendo a todos os gostos e necessidades, pagas ou gratuitas. Com um exame físico geral que seja capaz de detectar eventuais problemas de saúde impeditivos ou restritivos, pode-se iniciar com segurança um programa de atividades físicas.

O início de qualquer atividade física é sempre um pouco dolorido e cansativo, o que faz muitos desistirem. Mas a persistência de, pelo menos uma semana, já começa a produzir uma pequena melhora geral, que aumenta com o tempo, e faz com que melhore, e muito, a qualidade de vida. E não há limite de idade: com a orientação adequada, mesmo idosos podem começar uma rotina que irá, em muito, os beneficiar.

Mova-se! Atividade física regular promove saúde e bem-estar!

*André Codea é mestre em Ciência da Motricidade Humana

*O artigo foi publicado no jornal O Dia de ontem (26)