O coração e o legado de um lutador

A Educação Física não é só uma profissão, é uma filosofia de vida. Há quem aprenda com o tempo as características necessárias para se tornar um bom profissional, mas há aqueles que nascem destinados a viver uma vida em prol de educar o corpo humano. O professor Mario Campanella é um exemplo disso. Aos 90 anos, 55 deles dedicados à academia que fundou no Engenho Novo, Zona Norte do Rio, o profissional revela o que o motivou fazer da Educação Física seu manual de vida.

“Eu escolhi a Educação Física como profissão por causa da saúde e fui logo beneficiado com isso. Ela mexe muito com cabeça. A academia é uma doutrina. Eu não fico um dia sem fazer exercícios”, contou o professor.

Campanella entende a importância da Educação Física na sua vida e na vida das outras pessoas. Registrado no CREF há mais de 16 anos, ele avalia a contribuição do Conselho para a valorização da profissão. “A minha região não era fiscalizada. Agora nós temos onde recorrer a tudo que acontecer. Eu fiz o curso de SBV (Suporte Básico de Vida) e foi uma maravilha. Eu admiro e estou pronto para colaborar no que depender de mim para o crescimento do CREF”.

A dedicação à uma vida saudável é tanta que ele não deixa de se exercitar nem nos momentos de lazer e diversão. “Eu fui numa festa no outro dia e a comida ia sair às 19h, então eu pensei que se comesse naquele momento não teria tempo de fazer ginástica. Para aproveitar o tempo, eu encontrei uma sala vazia no salão e fiz todo o meu exercício antes do horário da comida. A minha preocupação com a ginástica é maior do que a minha preocupação com a alimentação”, afirma.

Seu “bebezinho”, forma carinhosa a que ele se refere à academia, é um santuário, pois cada peso que ele levanta representa a busca pelo bem-estar. Mas ele reconhece que não é um estilo de vida a qual todos conseguem manter. Prof. Mario conta que perguntava às pessoas, no tempo em que ia à academia com frequência, por qual motivo não continuavam na academia depois de um tempo.

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Prof. Mário tem uma longa história com as artes maciais. Já praticou Karatê, Jiu-Jítsu, Krav Magá e Judô, sendo por esse último formado no Clube ACM, onde foi ensinado pelo mestre Nagashima.

Pela ausência do pai, que faleceu quando tinha apenas dois anos, o professor se apegou a um homem que futuramente se tornou uma ameaça. “Ele me colocou num barco e quis abusar de mim. Então eu tive que aprender a nadar por necessidade. Pulei do barco e aprendi a nadar e essa foi a primeira coisa boa. A segunda foi que com isso, eu fiquei forte. Depois desse episódio, eu comecei a fazer artes marciais e autodefesa.  O que aconteceu comigo me fez querer ser meu próprio pai”, concluiu.

O Carioca também fala sobre a família. Avô de oito e bisavô de 11, ele aguarda com expectativa a chegada de mais um membro da família. “Se eu ficar vivo por mais um ano, serei trisavô”, comemora.